A vida sem planos
Não é fácil fazer coisas que você não tem vontade, não fácil tomar rumos desconhecidos e arriscar sua vida completamente planejada para afundar-se no misterioso, naquilo que você não tem certeza.
Quem algum dia pensaria em deixar seus amigos para pessoas que você nem conhece? Quem pensaria em deixar a sua cidade quando ama tanto para outra que nunca esteve? Na verdade, pessoas como eu, quase não podem pensar assim, não há escolhas para momentos como esse. E enquanto nós formos muito jovens, ainda estaremos sob a guarda de quem amamos e de quem nos protege, ou seja, envolvidos por seus pais/responsáveis. E para aqueles que não têm sua base, sua família, com certeza ainda possui uma esperança ou algo do tipo, sempre existe o apoio necessário. O ser humano não é sustentado apenas pelo seu esqueleto ósseo, sempre existe alguma coisa em si ou fora de si que o faz acreditar na vida, que o faz ter firmeza.
E eu agora eu só rezo em busca de forças. Forças para lutar, para continuar seguindo em frente, porque embora a pedra tenha aparecido no meio do meu caminho, eu preciso ter coragem de chutá-la. E isso não é fácil.
Sabe o que estou tentando dizer? Será que entendem o que não é fácil?
É como você estivesse fazendo um barco, por exemplo. Por acaso você é um trabalhador em busca de uma vida melhor. Você começa aos poucos, pega a madeira suficiente para que ele fique completo; sacrifica-se em busca da tintura que o deixaria perfeito; paga altos índices de $$$ no motor, vidros para as janelas, as velas para que o vento o deixe seguir... enfim. Você já tem material suficiente para que ele fique em perfeito estado. E o próximo passo é apenas juntar as peças, montar os acessórios fazer com que toda aquela tralha se torne em seu companheiro de viagens marítimas. E chega certo dia em que ele, o tão esperado barco, está pronto!
Sim, ele está. Ali na beira do mar, pronto para que você suba nele e veleje pelo mar infinito transbordando de sorrisos e presenteando suspiros de paz. Uma lágrima brota de seus olhos, é como se fosse seu filho que acabara de nascer. Ele ficou lindo, ficou perfeito, ficou atraente. O barco era tão especial que poderia ganhar um nome, poderia ganhar carícias e mimos inúteis, e aquilo faria seu criador bem. Porque você amava aquele barco.
Maaas... você não o fez para ser somente seu, de alguma forma você estava fazendo para melhorar as suas condições financeiras, para colocar comida na mesa, e todo aquele mero amor que você usou para fabricá-lo, serviu apenas para deixá-lo mais bonito. Mesmo tendo se apaixonado pelo objeto precioso, por sua criação, você não poderá ficar com ele e sofrerá bastante com a sua perda ao vê-lo deixando você para trás em busca do mar. Afinal, você teve duas escolhas: ou morria de fome e ficava com o barco que gostava tanto; ou fazia seu esforço valer a pena recebendo os tais $$$ pelo trabalho, mesmo que tenha que sofrer com a perda.
Tal metáfora, demonstra quando chega a certo ponto da vida, que o caminho não é reto, um dia ele estará repartido em ramificações fazendo você ter que escolher entre eles. O caminho é reto apenas quando você não está em total liberdade de si, o caminho está fácil quando você já tem tudo de mão beijada, algo medíocre para alguém, na minha opinião. Ter suas próprias escolhas é gratificante e um tanto complicado, mas sempre sabemos qual é a melhor a tomar, embora tenha que abrir mão de muita coisa.
E isso aplica-se à vida, pois as escolhas surgem inesperadamente. E aquele barquinho pode até estar livre pelo mar, mas ele não sabe quando de repente vai aparecer uma rocha, ou um iceberg, ou quem sabe uma ilha cheia de riquezas.
Por isso é bom saber que ele está preparado.

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